Lisboa,

quinta-feira, setembro 08, 2005

14 dias

Catorze dias no desconforto da solidão.
Solidão de estar, solidão de ser,
ausência do calor
que aconchega o desejo e a paz.
Quiz ser o que sou
e o que não sou.
Sem nada para dar,
na ilusão da necessidade
que se faz real.
Cheio do tudo que por mim transborda,
fui árvore sem fruto para oferecer.
Do agora,
retiro o suspiro
da voz que não ouço.
Gritei surdamente por ti
mas não respondeste!
Fora de mim,
ocupaste mares
com o sal como resposta.
Não sei se dentro da mente
consigo o retrato que me abafa.

Porque, lá fora,
o ruído não vem de ti nem de mim,
e eu sinto-me louco
de solidão.


(Amaral Nascimento)