Lisboa,

domingo, abril 11, 2010

no berço do teu olhar

No berço do teu olhar
vi as cores de mil sóis
vi o sonho duma vida
criado em cada partida
envolto em finos lençóis

No berço do teu olhar
toquei a mão da tua mão
bebi a fome do amor
quando no riso e na dor
era apenas e só paixão

Contra muitas arrelias
contra aquilo que negámos
corri o mundo a sorrir
e na hora de partir
trouxe os nós que desatámos

No berço do teu olhar
vi doçura cor de mel
vesti lagos de alegria
li os livros que relia
em tudo o que era papel

No berço do teu olhar
sonhei sonhos que sonhei
brandi cores que olhámos
palavras que partilhámos
dum futuro que toquei

Sei que estás longe de mim
perto só dentro do peito
em tudo o que faz sentido
nunca ter-te conhecido
só olhar-te deste jeito

A distância sempre importa
quando eu olho para ti
sem tocar-te estás perto
neste oásis só desperto
p'lo beijo que não vivi


(Amaral Nascimento)

3 Comentários:

At abril 11, 2010 12:35 da tarde, Blogger Paula Raposo diz...

Muito bonito, Amaral. Mesmo assim - um dia - gostaria de ler um poema que alguém me soubesse escrever.
Adorei a foto. Tão querida.
Beijos.

 
At abril 12, 2010 8:26 da manhã, Blogger MM - Lisboa diz...

A dor está intrínseca aos grandes poetas,
e os poemas nascem lindos..
mas eu preferia que não houvesse poesia,
se a felicidade pudesse ser plena!
Há-de ser.. um dia!
beijo

 
At abril 12, 2010 11:51 da tarde, Blogger Ana Paula diz...

Olá Amaral, apaixonante este poema.
Sabes, os beijos não vividos...são os que mais perduram.
Fica bem, bjinho

 

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