Lisboa,

quarta-feira, setembro 28, 2011

alentejo



"Hoje parto, e, para mim, a meio da ponte começa o Alentejo, que termina no mar, porque o Algarve não é mais que o Alentejo com os pés na água. Gosto tanto dessa terra, deserto pontuado de oásis de uma só árvore. Gosto das cores e gosto das formas. Da doçura dos montes, com linhas curvas que se continuam sem arestas como um corpo de mulher. Terra lavrada ao de leve, amada com cuidado, como se, para adormecer, tivesse sido acariciada, e não se tivesse apagado, ainda, a passagem dos dedos. O Alentejo és tu, mulher deitada, que sonha tranquila, enquanto a contemplo enlevado e em silêncio. Mar de bonança, quase sem ondas.
O Alentejo embala-me. A quietude da paisagem, o milhafre que paira, um casal em ruínas onde em tempos viveu gente, soltam o espírito que se liberta, paira e vagueia, levado pela corrente das ideias sem destino traçado, e pelo Sol matinal, que, de tão suave, convida ao devaneio.
Em Alcácer encontro a Beira, em Grândola vislumbro Manteigas, porque a tranquilidade da manhã permite muitos destinos, e o meu espírito gosta de visitar os sítios onde foi feliz. O Alentejo é berço onde se sonha de olhos abertos."

(Nuno Lobo Antunes in Vida em Mim)

domingo, setembro 25, 2011

vida em mim



É tempo de ler "Vida em Mim".
O livro foi-me oferecido pelo Marco e não podia deixar de lê-lo, ainda que nada conheça de Nuno Lobo Antunes.
Atraíram-me várias "passagens" e anoto aqui algumas delas. Por vários motivos, alguns com que concordo e outros de que discordo.

"Para mim, devia-se marcar um encontro entre o Génio da Lâmpada e a Pequena Sereia, porque nenhum deles tinha pernas, pelo que só se amariam da cintura para cima, numa mistura de corações e nada mais. Nessa altura (tal como agora, caro amigo), não sabia que se podia amar de outra maneira.
...
As mulheres, amigo, são cavalos que arrastam consigo, sem olhar para o lado, a imensa carga que a vida lhes coloca em cima, e a verdade é esta: dê-se um filho a uma mulher, e os homens passam a ser complemento. Claro que gostam de nós (com sorte até podemos ser amados durante parte do trajecto em comum), apreciam o que fazemos pela família, acham importante a complementaridade que oferecemos...
...
Apetece-me muito mais falar do amor, da entrega, da paixão, do espanto perante um corpo lindo de mulher, e da minha exaltação dentro dele, e dos filhos que depois nascem, e riem, e brincam, e nos deixam na boca um sorriso, e nos olhos duas lágrimas de ternura que apenas espreitam do seu canto, num embevecimento que por inteiro se justifica. Que lindo dia, amigo! Que lindo dia!
...
Que o próprio me perdoe, mas o Senhor nosso Deus, e a morte, seu lacaio, comportam-se da mesma maneira. Não me digam que não. É verdade, Deus é cobarde porque não se mostra para que possa ser julgado, e sem qualquer sentido de equidade, ordem ou razão, decide de forma arbitrária quem deve expulsar do jogo. Será porque quando lhe calhou a vez, alguém lavou dali as mãos, que ele faz o mesmo? Que ironia, que vingança mesquinha: a mim, feito homem inocente, tiraram a vida, ora agora tomem lá, que amor com amor se paga, que isso de oferecer a outra face já foi chão que deu uvas. Sempre lhe digo, amigo, Deus vê o cisco no olho do vizinho, mas esquece a trave que no próprio carrega. Se quem dá e torna a tirar ao Inferno vai parar, Deus e o Diabo jogam cartas a dinheiro no mesmo banco do jardim, e as moedas somos nós."

Esta última parte li-a sem qualquer dificuldade. Naturalmente que discordo por completo desta ideia absurda, mas compreendo que Lobo Antunes a explane nesta sua lista de recordações duma vida carregada de sinais que foram ficando nas memórias duma geração.
Lobo Antunes não entende o projecto divino. Analisa o quotidiano à luz da sua razão e dos reflexos emotivos que a sua vida profissional despoleta. Lobo Antunes explode emocionalmente porque, perante a profusão de casos que "caem" sobre ele, não vai além da constatação de injustiça que é a vida terrena. Os bons e os maus, os que tudo têm e os que morrem de fome, os que vendem saúde e os que nascem cheios de mazelas e doenças fatais, tudo isto, no mesmo instante, no mesmo local - sem um motivo, sem uma explicação, sem entendimento objectivo e subjectivo.
Para Lobo Antunes, o Criador tiraniza e "brinca" com os seres que criou. Escapa-se-lhe a "possibilidade" de Ele próprio (o Deus criador) estar "simplesmente" vivenciando e sendo "aquilo" que Ele é, na sua essência. Escapa-se-lhe a "possibilidade" de uma criança com um cancro ou um nascido "com defeito" estarem fisicamente neste mundo com um propósito sublime que a nenhuma mente humana esteja apta para entender...
Não fica mal a ninguém emitir a sua opinião ou a sua discordância ou a sua indignação perante o que "vê" à sua volta.
Também nada de mal irá acontecer a quem se enfureça com Deus e Lhe endereça os piores nomes e acusações.
Ele não ficará, de certeza, nada ofendido com isso!

sexta-feira, setembro 23, 2011

louco projecto

Pensar tal proeza e colocá-la em prática poderá ser o mais extraordinário de tudo isto. Assistir ao vivo será também um facto emocionante...
Agora... a capacidade de fazer funcionar esta "aventura", sem uma falha, o tempo gasto nas várias tentativas, a persistência, a calma e a força de vontade - são razões suficientes para dar os parabéns aos "pais" deste projecto.



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quarta-feira, setembro 21, 2011

o portal



Da cadeira onde me sentava, à mesa daquela esplanada, via perfeitamente o mar... Depois do café, apetece sempre ler um bocado mas, ontem, após uma dúzia de páginas de leitura, deu-me para fechar os olhos e desfrutar do Sol da tarde, brilhante e ameno.
Não sei quantos minutos assim estive, de pernas esticadas e olhos fechados, escondidos atrás dos óculos escuros.
Só sei que, repentinamente, uma espécie de "portal" redondo, grande, castanho brilhante, ocupou a minha mente, sob as pálpebras semi-cerradas, na zona frontal que o Sol acariciava... quase me fazendo pular da cadeira.
Abri os olhos, incrédulo, verifiquei que a minha "realidade" voltara... e permaneci assim, algo tonto, durante alguns minutos.
...
Gostaria de "ter sentido" aquilo com a tranquilidade e o bem-estar que já, noutras ocasiões, vivenciei.
Gostaria de ter permanecido confiante, calmo, esperando mais "coisas", certo de que me haveriam de proporcionar uma qualquer experiência nova e desconhecida...

terça-feira, setembro 20, 2011

if he can

If he can
why can't we?..



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sexta-feira, setembro 16, 2011

e mais te digo


Engraçado que, quando falo convosco, raramente Me reconhecem...
A vozinha que "não" ouves é, como dizem, uma maneira de pensares em silêncio...
Não importa! O que tu pensas... Eu penso!
Vou dar-te outra "dica" sobre o que estás a pensar agora.
Onde estou Eu, afinal? Que paraíso é este onde passeio e Me divirto?
Não estou em lado nenhum! Estou e sou, apenas!
Ri-te! Ri-te bastante!
Eu e o lugar onde Eu estou é a mesma coisa: EU.
Estás confuso!
Estás a pensar, então, que o espaço não existe.
E existe?
Para que preciso Eu do espaço? E do tempo?
Oh, céus! Como vou explicar-te para que entendas?
Vou ter que injectar-te um pouco mais de sabedoria nesse corpo minúsculo mas, mesmo assim, duvido que chegues ao Meu raciocínio.
Que estou Eu a dizer?
Mais sabedoria não posso dar-te, que já te dei o suficiente! Mas, por mais que procures, sempre buscas o que não queres ver.
É isso!
Tudo está ao teu alcance! Sabes porquê? Porque no teu cérebro pus-te as "antenas" suficientes para Me veres e sentires!
E mais te digo: desde aí até aqui é um piscar de olhos, um pestanejar apenas.
Aliás, o aí e o aqui nem existem!
Que cara de espanto!!!
Fácil, simplesmente fácil.
Em verdade te digo: nunca saiste "daqui", porque o "aqui" é o único espaço que existe!
Nem mais! Assim como o tempo. O que acontece, acontece apenas neste momento. Não há outro!
Mas não penses que, por esse facto, é um caos completo e horrível. Se há lugar mais harmonioso e sublime é o lugar que Eu sou, donde tudo emana e onde tudo evolui.

quarta-feira, setembro 14, 2011

novo computador



Um novo computador vai tentar imitar o cérebro humano.
É capaz não apenas de analisar informações complexas em tempo real, mas também de aprender com os resultados.
A IBM anunciou na quinta-feira a criação de um chip que imita a capacidade do cérebro humano, e a forma como se comporta. Integra software e hardware que é capaz, não apenas de analisar informações complexas em tempo real, mas também de aprender com os resultados, ou seja, as novas ligações serão feitas com cada nova informação adquirida, e as experiências anteriores são utilizadas para elaborar a próxima acção.

Segundo a empresa, este chip reconhece rostos, lembra-se de acções passadas e sente as variações do ambiente através de sensores. Tudo isso, ao mesmo tempo. Essa é a meta do projecto Synapse (Systems of Neuromorphic Adaptive Plastic Scalable Electronics), desenvolvido pela IBM Research.

Dois protótipos de chips foram fabricados e estão a ser alvos de testes. Ambos foram gravados com uma linha fina de 45 nanómetros de silício em isolante (SOI) e possuem o equivalente a 256 «neurónios» (células nervosas). O objectivo da empresa é um dia fabricar um com 10 milhões de neurónios, ainda que seja muito distante do cérebro humano, que possui 100 mil milhões.

(Portugal Diário - Agosto 2011)


segunda-feira, setembro 12, 2011

somewhere over the rainbow


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Israel Kamakawiwo'ole
(Somewhere Over The Rainbow)


Somewhere over the rainbow
Way up high
And the dreams that you dream of
Once in a lullaby

Somewhere over the rainbow
Blue birds fly
And the dreams that you dream of
Dreams really do come true

Someday I'll wish upon a star
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney top thats where you'll find me
Oh somewhere over the rainbow blue birds fly
And the dreams that you dare to, oh why, oh why can't I?

Well I see trees of green and
Red roses too,
I'll watch them bloom for me and you
And I think to myself
What a wonderful world

Well I see skies of blue and I see clouds of white
And the brightness of day
I like the dark and I think to myself
What a wonderful world

The colors of the rainbow so pretty in the sky
Are also on the faces of people passing by
I see friends shaking hands
Saying, "How do you do?"
They're really saying, I... I love you

I hear babies cry and I watch them grow,
They'll learn much more than
We'll know
And I think to myself
What a wonderful world

Someday I'll wish upon a star,
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney top thats where you'll find me.
Somewhere over the rainbow way up high
and the dreams that you dare to, why, oh why can't I?



sábado, setembro 10, 2011

sem princípio nem fim




Quero-me na tua boca,
no céu quente, repleto
da espuma molhada
da tua saliva.

Quero-me firme e vibrante,
dono da tua língua,
senhor dos teus lábios
suculentos de mel,
adocicados com mil sabores.

Quero-me no fundo de ti,
no gargarejar de amor,
no desejo luxuriante,
no deambular estonteante,
no fluxo travesso
do êxtase enlouquecido.

Sem princípio nem fim,
no impossível de continuar,
no ribombar do universo,
na explosão do caos maior,
no extorquir das forças,
no big-bang do pensamento -
- dei-te o princípio e o fim,
o grito,
o pranto,
o esvaziar dum todo cheio,
o oceano de mil vidas
e fiquei entre os teus lábios,
terno,
brilhante,
quente ainda,
tocado com tal doçura,
com tanto encanto e prazer
que os teus olhos cantaram
uma canção de embalar,
até que o dia veio nascer...

(Amaral Nascimento)



quinta-feira, setembro 08, 2011

ser um canal



"Tornar-se num canal puro do universo é o maior desafio que nos é lançado e a maior promessa de alegria e de plenitude para qualquer ser humano.

Ser um canal significa viver plena e apaixonadamente no mundo, ter relacionamentos profundos, divertir-se, trabalhar, criar, tirar partido do dinheiro e dos bens materiais, sendo inteiramente autêntico, sem nunca perder a ligação profunda com o poder do universo dentro de si, aprendendo e crescendo com cada uma das suas experiências."


(Shakti Gawain in Vivendo na luz)


terça-feira, setembro 06, 2011

o tempo


Quanto tempo passou!...
Muito! Ou talvez nenhum!
Que o tempo nem deve "passar"... nem sequer "sair" do sítio onde está... nem mesmo se deve "mexer"...
Estará certamente paradinho... e nós a "senti-lo" passar, deixando-nos mais velhos, mais raquíticos, mais inúteis...
O tempo tem sido uma "dôr de cabeça" para os humanos. Houve quem alvitrasse poder tratar-se da 4ª.dimensão, num outro estádio da percepção humana. O mundo a três dimensões ficaria mais completo e mais eficaz se lhe acrescentássemos o tempo e vivêssemos assim num mundo a quatro dimensões...
O certo é que a percepção do tempo é muito mais acentuada nos tempos que correm.
"O tempo voa", "parece que foi ontem", "já passaram tantos anos?", "o tempo passa a correr"...
O tempo "passa", o mundo evolui e transforma-se tão rapidamente, que acabamos por nos perder em memórias e recordações constantes.
A verdade é que o nosso cérebro nos vai dando conta do desgaste do corpo e vai-nos informando das células que deixam de se renovar, daquelas que morrem definitivamente, daquelas que já são insuficientes para manter a aparência perfeita ou quase perfeita que tanto desejaríamos.
Não é o tempo que é culpado!
É, quiçá, a "incapacidade" do nosso cérebro em "entender", ainda, muito pouco sobre a perfeição do corpo humano, e de como essa perfeição deveria continuar a manter-se assim perfeita.
Diz-se que o homem de hoje está a aproveitar apenas um décimo do seu cérebro.
Talvez na percentagem que falta esteja a solução de todos os problemas existenciais: os físicos, os espirituais, os sociais, os políticos e os económicos e os financeiros e os religiosos e os comportamentais.


domingo, setembro 04, 2011

doce é o teu olhar



Quero olhar o teu sorriso
como tu olhas o meu
tocar o som da tua voz
como o faria Romeu

Olhar doce o teu olhar
beijar terno esse teu beijo
calar o ardor deste peito
a chama deste desejo

Desce depressa do tempo
tempos que ainda virão
deixa que a fúria do tempo
tenho-o preso na mão

Não olhes pra mim assim
não desistas do teu sonho
deixa que o impossível
viva o seu sonho risonho

(Amaral Nascimento)

sexta-feira, setembro 02, 2011

somos todos a mesma coisa

És um ser de três partes, composto de corpo, mente e espírito.
Eu sei onde está o meu corpo, porque o vejo.
A tua mente não está na tua cabeça. Está em todas as células do teu corpo.
Aquilo a que chamas mente é, na realidade, energia.
É... o pensamento. E o pensamento é uma energia, não é um objecto.
O teu cérebro é um objecto. É um mecanismo físico e biológico - o maior, o mais sofisticado - mas não o único mecanismo do corpo humano, com o qual o corpo traduz, ou converte, a energia que é o pensamento em impulsos físicos.
O cérebro é um transformador. E o corpo inteiro também. Tem pequenos transformadores em cada célula. Os bioquímicos têm referido com frequência como as células individuais - os glóbulos do sangue, por exemplo - parecem ter inteligência própria. E têm, de facto.
Então a mente encontra-se em cada célula...
Sim. E há mais células no cérebro que em qualquer outra parte, por isso parece que a mente se encontra lá. Mas é apenas o principal centro de processamento, não é o único.
Então onde está a alma?
Está em toda a parte.
Há espaços entre as células. De facto, o teu corpo é noventa e nove por cento espaço.
A alma está em toda a parte, dentro, através e à volta de ti. É o que te contém.
A alma é maior do que o corpo. Não é carregada dentro o corpo, mas carrega o corpo dentro de si.
Já ouviste falar numa "aura"?
É o mais que nos podemos aproximar, na tua linguagem, no teu entendimento, para te dar uma imagem de uma realidade enorme e complexa. A alma é o que te conserva inteiro, tal como a Alma de Deus é o que contém o Universo, e o conserva inteiro.
Mas se a alma é, num certo sentido, "o ar dentro e em volta de nós", e se as almas das outras pesooas são o mesmo, onte termina uma alma e começa outra?
Não há nenhum lugar onde outra alma "acaba" e a nossa "começa"!
É tudo a mesma alma!
Acabas de descobrir o segredo do Universo.
E se Tu és o que contém o Universo, tal como nós somos o que contém os nossos corpos, então não há nenhum lugar onde Tu "acabas" e nós "começamos"!
O meu problema com a compreensão no passado tinha a ver com o facto de o corpo ser uma embalagem individual distinta, tornando possível diferenciar entre "este" e "aquele" corpo, e como sempre pensei que a alma estava contida no corpo, diferenciava entre "esta" e "aquela" alma.
Mas, se a alma está em toda a parte dentro e fora do corpo - na sua "aura", como Tu dizes -, onde "acaba" uma aura e "começa" outra?
E agora vejo, na verdade pela primeira vez, em termos físicos, como é possível que uma alma não "acabe" e outra "comece", e que é fisicamente verdade que Somos Todos Um!
Sempre pensei que isto era uma verdade metafísica. Agora vejo que é uma verdade física!
É importante aprender a Dicotomia Divina e compreendê-la claramente, se quiseres viver com dignidade no Universo.
A Dicotomia Divina sustenta que é possível duas verdades aparentemente contraditórias existirem simultaneamente no mesmo espaço. Especificamente:
O bem e o mal existem.
Tudo o que existe é amor.
A Dicotomia Divina é a que estamos a ver neste momento.
Existe Um só Ser, e portanto Uma só Alma. E, há muitas almas no Único Ser.
A dicotomia funciona assim:
Acabas de ouvir explicar que não existe separação entre as almas. A alma é a energia vital que está dentro e à volta de todos os objectos físicos (a sua aura). Num certo sentido, é o que "mantém" os objectos físicos no seu lugar. A "Alma de Deus" contém o Universo, a "alma do homem" contém cada corpo humano individual.
No entanto, não existe uma "linha divisória" entre as almas - não há nenhum lugar onde "uma alma" termina e "outra" começa. E portanto, é realmente uma alma que contém todos os corpos.
Embora não haja verdadeira separação entre as almas, é verdade que a matéria de que a Única Alma é feita se manifesta na realidade física a velocidades diferentes, produzindo diferentes graus de densidade.
Velocidades diferentes?
Toda a vida é uma vibração. Aquilo a que chamas vida é energia pura. Essa energia vibra constantemente, sempre. Move-se em ondas. As ondas vibram a velocidades diferentes, produzindo diferentes graus de densidade, ou de luz.
Tal como o ar numa casa, a energia vital - aquilo a que chamamos a "Alma de Deus" - assume caracteristicas diferentes ao envolver objectos físicos diferentes. Na verdade, essa energia aglutina-se de determinado modo para formar esses objectos.
Quando as particulas de energia se unem para formar matéria física, tornam-se muito concentradas. Aglutinadas. Começam a "parecer" e a "sentir-se" como unidades distintas. Ou seja, começam a parecer "separadas", "diferentes" de toda a outra energia. Mas é tudo a mesma energia, com comportamentos diferentes.
Os "pedaços de energia" que se aglutinaram em unidades individualmente distintas que continham seres físicos são aquilo a que optaram por chamar "almas". As partes de Mim que se transformaram em todos Vós são aquilo de que Nós estamos aqui a falar.
Daí, a Dicotomia Divina:
Há só Um de nós.
Há Muitos de nós.
à medida que a energia aglutina, torna-se, como Eu disse, muito concentrada. Mas, quanto mais nos afastamos do ponto dessa concentração, mais dissipada se torna a energia.
O "ar torna-se mais ténue". A aura esbate-se. A energia nunca desaparece completamente, porque não pode. É a matéria de que tudo é feito. É Tudo O Que Há. No entanto, pode tornar-se muito, muito ténue, muito subtil - quase "não estar lá".
Então, noutro lugar (leia-se, noutra parte de Si), pode voltar a aglutinar-se, "unindo-se" mais uma vez para formar aquilo a que se chama matéria e que "parece" uma unidade individualmente distinta. Agora as duas unidades aparecem separadas uma da outra e na verdade não existe nenhuma separação.
Os vossos cientistas já descobriram que os blocos de construção de toda a vida são os mesmos. Trouxeram rochas da lua e descobriram o mesmo material que encontram nas árvores. Desmancham uma árvore e encontram o mesmo material que encontram em ti.
Somos todos a mesma coisa.
Somos todos a mesma energia, aglutinada, comprimida de maneiras diferentes, para criar formas e matéria diferentes.
Somos todos Um.

(Neale Donald Walsch in Conversas com Deus 3)